À procura da alienação...



Bem, aqui estamos com um filme que vi na semana passada. Confesso que eu estava morrendo de vontade de ver. Afinal, eu também procuro a minha felicidade....
Breve resumo do filme: Chris Gardner investiu seu dinheiro, que já não era muito, em um provável avanço da medicina, uma máquina que tirava uma espécie de raio-x mais bonitim. O que aconteceu foi que Chris, sua esposa e filho se afundaram. Os aparelhos eram muito caros e era difícil Chris encontrar compradores. Até ai tudo bem. As coisas esquentam quando ele quer ser um corretor de ações. Aí o bicho pega. O estágio para corretores era muito concorrido. Chris é inteligente, e resolve arriscar.O tempo vai passando e Chris vai ficando mais pobre. Sua mulher o deixa e ele e o filho continuam a caminhada rumo à felicidade. O filme mostra situações desconfortáveis que os dois enfrentam, como dormir num banheiro público no metrô, a corrida pra entrar na fila do albergue a tempo, e a luta de Chris para conseguir o emprego.
No fim, Chris é chamado à mesma sala na qual se inscreveu para o estágio para definir seu futuro. Ele não acreditou quando lhe disseram que ele seria contratado. Ele chama este pequeno momento de Felicidade. Fim. Chris vira milionário.

Breve análise: A mensagem que o filme parece trazer, e que você sente ao terminar de ver, é a de que se você se esforçar, você consegue o que você quer, pois no fim senti uma vontade de rever todos os meus objetivos e me devotar a eles como o Chris fez. E é aí é que a ilusão acontece. Não funciona assim. O filme é bom por ter uma história real em sua base. Mas as coisas com certeza não aconteceram da mesmíssima maneira que no filme. Por isso se diz que é "baseado" em fatos reais. Mas uma coisa eu achei legal. O filme não confunde Felicidade com Dinheiro e esclarece muito bem isso. Quando Chris fala da felicidade, fala do momento em que ele consegue aquilo pelo que ele tanto lutou, e ele fala do emprego, não do dinheiro. E eu concordo com ele. O melhor da vida é viver, não conseguir seus objetivos. Isso é conseqüência. Espero que as pessoas não entendam o filme como uma demonstração de que querer é poder, pois eu quero montar o cubo mágico em quinze minutos, mas não posso. Se você puder, o método do filme pode ajudar você a ser qualquer coisa =p

O quarto dos segredos....

(1408 - Terror, 2007 - 104min)

Devo dizer que poucos filmes contém tantos elementos do meu gosto quanto este. Não estou dizendo que é o melhor filme que já vi, mas o famoso quarto do hotel Dolphin é uma criação do grande Stephen King. Se você não conhece Stephen e nenhuma outra obra sua, você provavelmente odiará este longa. Outra coisa muito louca sobre esse filme é John Cusack. Se existe alguém que estaria competindo com Robin Willians em papéis idênticos em todos os filmes, este alguém seria John Cusack. Sempre carrancudo, frio sentimentalmente e financeiramente quebrado, John aparece sem novidades no seu papel. Tem também uma história simples. Cinco personagens, no máximo. Bom para quem tem Alzheimer.


O resultado impressiona, mas não tanto. John é um escritor falido de livros assombrados sobre assombrações. Uma ótima analogia para a Psicanálise. Já explico o por que. John recebe uma carta, que estranhamente o provoca dizendo para ele não ir a um quarto num hotel. Quem mandaria uma carta dessas?? John, digo, Michael, topa o desafio e vai a Nova York para se hospedar no maldito quarto. Após uma divertida cena com Samuel L Jackson, John recebe a noticia de que um trilhão de pessoas morreram no quarto, e que ninguém conseguiu ficar nele mais de uma hora... vivo!
Michael então decide passar uma horinha no Dolphin, quarto 1408.
"É só um quarto", ele brinca, ao ligar seu gravadorzinho.
E as coisas acontecem. Visões, um rádio relógio que funciona desplugado da tomada, o papel higiênico infinito e que se arruma dobradinho sozinho...


E as coisas começam a piorar. Michael se desespera quando não consegue sair do quarto. Tenta a janela, a porta. Nada. E era só uma hora.
Resumindo, Michael vê sua filha que morreu de alguma doença que não me lembro, toca nela. Sai do quarto, volta pra ele. o Quarto inunda com a água que sai de um quadro, o quarto pega fogo. E nada do Michael morrer.


Por fim, Michael sobrevive, e ao encontrar seu gravador todo esbagaçado no bolso ou sei lá onde era...(faz tempo que vi) ele liga e ouve a voz da filha. Fiiiim!!!
Muito bem. Qual a mensagem do filme????
Na minha opinião, o filme todo retrata a própria cabeça de Michael, dado que tudo o que havia no quarto, Michael de alguma forma já conhecia. As visões das mortes apareceram ali após Michael olhar para as fotos que o Samuel L Jackson deu. Enfim, deveriamos pensar no quarto como o que em psicanálise Freud chamou de inconsciente (pois é, Freud explica até filme meu filho!). O inconsciente contém desejos, pensamentos e outras coisinhas que seriam muito fortes para nosso ego, nossa parte consciente. Michael entra em contato com o inconsciente quando entra no quarto. O Samuel disse que ninguém conseguiu ficar mais de uma hora no quarto. Por que justo uma hora?


Isos não tem muito a ver. O que acontece é que ninguém consegue lidar com o que se esconde dentro de si. Michael era incrédulo, e tinha um problema de relacionamento com Deus por conta da morte de sua filha.
Voltemos à carta. Por que alguém mandaria uma carta para ele não ir no quarto? o que significa a carta???


Não quero parecer muito teórico, mas esse filme é a cara da psicanálise. Freud pensava nos nossos sonhos como uma manifestação desses desejos que estavam no nosso inconsciente. Para ele, o sonho era uma carta não lida, pois ela vem dentro do envelope da distorção...aquela coisa embaralhada que chamamos de sonho. Enfim, Michael teve a coragem de lidar com o seu inconsciente, mesmo que o Samuel, que seria um mecanismo de defesa do ego, eu diria, tentasse dissuadi-lo.


Achei um filme interessante e com uma história simples que diz muita coisa. Quem teria a coragem de Michael para enfrentar o desconhecido dentro de si próprio? Somos todos como a Lua, temos todos um lado negro, desconhecido. E este lado obscuro, é o quarto...
A gravação da voz da filha? Muito bem lembrado!
Acho que seria como uma compensação pela coragem dele. Mas ainda acho que não desvendei este longa completamente......

Sobre segredos e heróis....


Às vezes fico impressionado como me deixo levar pelas incríveis histórias criadas pelos meus colegas seres humanos.....Incrível como cada uma delas traz uma revelação nova sobre a nossa natureza e ainda assim tem uma capacidade de nos surpreender com seus desfechos e reviravoltas após quase tudo já ter sido criado...
Estou falando da sexta temporada de Smallville, na minha humilde porém inteligente opinião, uma brilhante história, e uma das sagas mais bem contadas e intrigantes...que eu já vi!
Após muitas reviravoltas decepcionantes, como o casamento de Lex Luthor com a não tão mais gata do seriado Lana Lang, Clark começa a se encaminhar psicologicamente para o personagem tão conhecido dos quadrinhos, o herói solitário. Uma das coisas mais brilhantes que pude ver nestas 10 horas de segredos, conflitos, super poderes e lutas foi o lado humano de Clark, que como descobri na faculdade, mostra que o lado social influencia na identidade de qualquer um. Aliás, o próprio Clark representa um grande dilema entre os estudiosos sobre a influência do lado social e do biológico sobre o lado psicológico. Clark tem superpoderes, que representam seu lado biológico, ao mesmo tempo em que, sendo criado por Johnatan e Martha Kent, fez com que ele adquirisse um lado humano, que compõe a personalidade do nosso herói.
Muitas pessoas gostam de criticar todos os seriados. Acredite, eu leio pra dedéu pra poder postar aqui minha opinião... e nunca vejo alguém satisfeito com o que vê na televisão.
Eu adorei esta sexta temporada, pois nos revela muitas coisas sobre nós mesmos e sobre o quanto podemos mudar, o quanto conhecemos as pessoas próximas a nós... o quanto um segredo pode mudar um relacionamento, enfim, só sendo idiota pra não perceber que a história é uma excelente metáfora que nos põe pra pensar. Coisas como o destino, quem somos e quem os outros esperam que sejamos são coisas comum a todos nós e que todos temos de enfrentar um dia. O final da temporada foi meia boca. Sempre achei demais os episódios finais e Smallville sempre me deu emoções diferentes a cada mudança de estação. Mas vale a pena curtir essa maravilhosa e bem feita série, tanto nos efeitos especiais como nas mensagens dos episódios.