Ensaio sobre a Burrice



Me desculpem os fãs do Saramago. Particularmente, não tenho opinião formada pois não li nenhum de seus livros, mas se o filme que assisti foi realmente baseado em sua obra, posso dizer que neste momento ele e o Paulo Coelho são os escritores que estão na zona do rebaixamento da minha lista de autores...bem, vou direto ao ponto.


Sobre o filme agora.


Eu estava curioso para ver este filme, pois ouvi dizer que ele foi em parte filmado na minha cidade (Oz)... e estava curioso também por ter visto o trailer. Adoro filmes nos quais a humanidade está ameaçada e o Ensaio sobre a Cegueira aparecia como uma ótima opção na locadora.



Se você não viu o filme, pare por aqui. Aliás eu nem recomendaria que você alugasse/comprasse original ou pirata, pois seria jogar dinheiro fora... De qualquer modo, haverão spoilers.



Vou começar com minhas críticas ao enredo. Creio que todo mundo entendeu a história da infecção e do confinamento dos cegos em um único lugar... Agora eu não entendi o que a tonta da Julianne Moore estava fazendo lá bancando a cega... e vendo um cego mandar em todo mundo... Ora, só pude chegar a uma conclusão, ela não era cega, mas era burra... e isso pra mim dá no mesmo. Ela poderia ter matado o ceguinho folgado logo de cara. Ninguém ia ver!!! (Entendeu a piada?). Mas não, ela preferiu ser estuprada e se lascar o filme inteiro. Fora que a hora que ela resolve fazer isso já não adianta mais nada...
Ela poderia ter ido até os oficiais e dito que ela era imune à doença... e assim ajudar na procura da cura, ou sei lá...acho que ela conseguiu fazer o pior. Mas....


Em terra de cego, quem vê é rei né?



Agora sobre a mensagem do filme...
Adorei a analogia do filme, embora não tenha gostado do desenrolar da história. O filme pode nos mostrar uma coisa que a grande maioria não percebe. No filme as pessoas começam a ficar cegas, uma cegueira contagiosa, tal como a doença da fofoca.
A cegueira desorientou todo mundo, e os que ainda enxergavam se separaram dos cegos, confinando eles em um único lugar, e podendo controlar eles do jeito que eles quisessem.
Mas inevitavelmente todos ficaram cegos, exceto a Srta. Moore, que parecia ser imune à cegueira....E ela via toda a loucura e se aproveitou "burramente" na minha opinião, mas se aproveitou dessa situação para se dar bem, tendo vantagens em relação aos outros.

Essa idéia corresponde a uma cegueira que afeta a maioria das pessoas no mundo, ainda mais no Brasil: a cegueira mental. Sim, ela existe e conhecemos ela por aqui como "Ignorância". A maioria de nós se apega a coisas sem sentido e sem importância, deixando de "abrir os olhos" para as coisas realmente importantes. Hoje vivemos em um país no qual o assunto principal da semana é quem vai ser eliminado do big brother ou quem vai vencer o campeonato paulista. Isso é como "fechar os olhos" para o resto das coisas, como a situação na qual nós vivemos e como podemos melhorá-las, sobre o que queremos para nossas vidas e não conseguimos... assim somos cegos e ficamos tão desordenados como os ceguinhos o filme. talvez dessa cegueira surjam as coisas loucas dasquais ouvimos falar...

Enfim, a analogia continua ao se pensar na única pessoa que enxerga, ou aquela que consegue perceber que estamos cegos mentalmente. Existe alguém assim? Talvez sim, e talvez ela esteja se passando por cega como nós....

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Espero que na próxima adaptação escolham uma obra melhor. ^^


O Retorno

Faz tempo que não me ponho a escrever. Muitas coisas aconteceram em minha vida e é até difícil escolher sobre qual tragédia irei falar agora. Sim. Tragédia é o nome correto. Michael Douglas teria feito o filme "Dia de Maravilhas" se tivesse passado uma temporada comigo... Resumindo, este final e começo de ano para mim tem sido uma prévia do fim...

Melodrama à parte, vamos aos acontecimentos....

No ano passado, iniciei involuntariamente o processo de monitoria na minha faculdade. É uma espécie de estágio pra nerds que querem ser professor e tem muito tempo livre no momento. Bem eu era um desses e decidi fazer essa coisa aí. A monitoria consiste em você ajudar o professor na matéria que você se candidatou. Eu diria que é como um estágio pra secretário, só que você ajuda os alunos a fazer o estágio deles...
A princípio foi muito legal, pois exercitei meus conhecimentos numa matéria q eu gostava, e ainda por cima conheci muitas pessoas legais.

Bem, ao longo do ano acabei me interessando por uma das alunas mais do que deveria. Ela realmente era diferente. Brigávamos o tempo todo na hora das supervisões de estágio e em certo ponto me lembrei daquele ditado "quem desdenha quer comprar", e comecei a me alegrar com a idéia de conhecer ela no sentido bíblico (brincadeirinha). Ela se mostrava muito inteligente e era muito bonita, muito mesmo... Mas como sou uma pessoa muito ética em minha forma de agir, esperei até que os "negócios do estágio" se encerrassem, para que então eu pudesse tentar alguma coisa...

Foi num dia comum que, numa conversa pelo grande cupido virtual que as pessoas chamam de msn, eu descobri que ela também me achava interessante. Não se surpreendam, eu também não sei o que ela viu...

Enfim, as coisas então pareciam mais fáceis, e não demorou muito para ficarmos pela primeira vez...

Uma pequena pausa aqui. Pensei por vezes escrever sobre a coisa do "ficar". Sempre me intriguei com a frase "fiquei com alguém"... Pode ser loucura, mas às vezes tenho a impressão de que o uso dessa palavra é estranho, porque "ficar" quer dizer "permanecer" e se você diz que... Ah deixa pra lá... Me enrolei.

Bem, onde estava? Ah sim. Ficamos. Estava adorando o nosso lance e as coisas pareciam ter mudado para melhor. Sim, porque eu estava passando por um momento de solidão muito extenso, ou se
ja, encalhadaço, e quando consegui atrair alguém mais bonito e legal que eu, naturalmente me senti o superman.

E aí o tempo foi passando e as aulas acabaram. Deixamos de nos ver por ela morar em otura cidade, mas mantivemos contato via telefone e via msn...

Minha auto-estima estava normal e as coisas pareciam ótimas. Com o fim das aulas me voltei ao trabalho que desde adolescente tenho a coragem e paciência de me dedicar: Mecânica. Sim, meu pai é mecânico e eu adoro mexer em carros. Porém decidi correr para o outro lado por não achar que poderia passar a vida arrumando uma coisa que outro quebrou e assim eu decidi ir fazer Psicologia.

Trabalhando o dia todo, fui aos poucos me tornando um workaholic. Sim. Dormia cedo para acordar bem para trabalhar e trabalhava com afinco todos os dias. Acabei deixando de entrar no msn, orkut, vir até aqui, e etc. E o tempo foi passando...Passou o ano novo e mais alguns dias, e numa certa manhã de domingo, retornei às minhas atividades internéticas. Descobri que ela havia me excluido de todas as formas de contato existentes... Pensei na hipótese de que talvez ela estivesse chateada comigo. E eu nem tinha feito nada...

Não tentei ligar para ela, e acabei deixando assim. Talvez eu não gostasse tanto dela, ou sei lá, talvez ela estivesse cobrando muito de mim antes da hora. Porque para mim um relacionamento entre duas pessoas passa pela fase da cobrança, é logico, mas passa pela cobrança assim como passamos pelo cobrador de ônibus: de maneiras diferentes. Existem pessoas que entram no ônibus e já pagam e já vão para a porta; existem pessoas que sentam ali na frente, olham pro nada e esperam mais um pouco antes de pagar... Eu sou um desses do segundo tipo. Cobrança pra mim vem depois.

Acho que ela é do primeiro...talvez não combinássemos mesmo.

Resumindo, fui do céu ao inferno em um final de ano. As coisas melhoraram só para piorar. Mas a vida é assim mesmo...E bola pra frente!