Respondi bem?

Como o narrador da história de Joseph Climber já dizia, "a vida é uma caixinha de surpresas". E me surpreendo ao perceber as loucuras que a vida nos mostra. Uma dessas loucuras é a coincidência de alguém como eu, que se vê tão ponderado e crítico, nasce em meio a um monte de pessoas sem autocrítica e pensamento próprio... mas enfim, cada um joga com as cartas que têm.



Decidi, por razões já ditas antes, refazer meu visual. Passei uma semana na Califórnia brasileira, Ribeirão Preto, visitando minha adorada vovó. Não sou muito fã dela ( a cidade; amo minha avó), mas foi lá que tudo começou. Decidi fazer dois piercings que há tempos eu planejava, mas nunca tive a coragem, um no lábio e uma argolinha no nariz. Fiz os dois no mesmo dia, e quase matei minha avó de susto/raiva/ataque cardíaco/golpes de legítima defesa. Depois de retornar ao ar maravilhoso da capital, e depois de fazer meu velho me olhar com aquela cara de desgosto, como se eu fosse Judas Iscariotis reencarnado, decidi que era hora de mudar meu cabelo.



Eu deixei meu cabelo crescer por mais de um ano, desfiando-o de vez em quando para que as pontas ficassem mais legais. Fiz algumas escovas progressivas pra não deixar ele parecer um abajur pela manhã, e assim obtive um certo sucesso com as garotas. Mas dessa vez, aproveitei a promoção do Soho no Anime Friends (com 1kg de alimento não perecível, você faz um corte/escova/chapinha/penteado com os melhores cabeleleiros do Brasil) e desfiei ele por completo, deixando uns mullets atrás e fazendo um moicano com franjinha. Fiquei satisfeito, pois o corte realçava os piercings. No entanto, quando encontrei a plebe da família...



Acontece que minha família é como um achado arqueológico. Permanece igual durante milhares de anos enfiada na lama, e têm cara de múmia. Daí, não pude esperar outra reação a meu novo visual do que as famosas deduções sobre minha orientação sexual. Me chamaram de viado, gay, e etc. e daí para outras coisas. Como não sou nem um pouco tonto, tratei de responder a tais acusações. Não sou preconceituoso contra nenhum tipo de grupo, exceto pagodeiros, funkeiros, forrózeiros e nordestinos folgados... e gente muito burra também, quase me esqueci. Mas quem dera essa família maravilhosa fosse assim também. Além de ser pessoas com capacidade cognitiva quase igual a zero, são religiosas ao extremo e têm a péssima mania de puxar qualquer um pro lado deles, como areia movediça... eles querem que você afunde na lama com eles. E daí eu decidi responder as brincadeirinhas deles no meu melhor estilo, ou seja, zuando a religião deles, que é o que eles mais valorizam. Adivinha o results: eles ficaram nervosos!

O mais engraçado quando uma pessoa fica nervosa é que ela começa a procurar as coisas mais humilhantes e piores que ela pode dizer pra tentar provocar na pessoa que as deixou nervosas o mesmo sentimento. Só que um detalhe muito óbvio e que as pessoas não se dão conta é que quando elas fazem isso, elas abrem um caminho enorme para que seja possível descobrir o que mais irrita aquela pessoa. Ficou muito complicado de entender isso, né? Assim como no telecurso 2000, vamos pensar um pouco:

-Você fica com muita raiva quando alguém diz alguma coisa pra você. E geralmente você fica com raiva porque concorda com o que te disseram.


-Você quer dizer alguma coisa pra pessoa que te deixou nervosa ficar igualmente irritada, então você pensa em uma coisa que deixaria VOCÊ MESMO muito irritado, e fala isso pra pessoa.

-Só que você se esquece que a pessoa pode não se irritar com o que você disser, porque ela é diferente de você, plus você ainda dá de mão beijada a informação: você mostra o que mais te afetaria.


-No final você acaba ficando mais nervoso, e quer bater na pessoa. Ou seja, você perde a razão.





Enfim, após eu pegar no pé da religião dos meus pobres consanguíneos, e tendo noção de que o que eles falassem seria o golpe final na auto-estima deles, esperei a reação.



Um deles disse: "Você queima a rosca né, safadiiinho?"

Ao passo que eu respondi: "Que cantada foi essa filho? Melhora issae! Assim nem parece que você arruma alguma coisa".



Eu não achei que tinha sido uma bomba mental, mas foi. Ele se exaltou e começou a falar horrores, que é lógico, me afetavam, mas eu não poderia demonstrar emoção. No final, acho que respondi melhor do que eu pensei. E deixei-o completamente maluco. Talvez ele tenha um lado meio George Michael escondido... vai saber!


Outro episódio dessa natureza aconteceu quando meu velho me perguntou como eu seria um psicólogo todo furado e com um cabelo esquisito, pois estou me formando e atendo frequentemente na clínica da faculdade, fora um estágio em um hospital.

Dei uma razão pra pergunta dele. No entanto, pensei da seguinte forma ao tomar a decisão de fazer os piercings e cortar o cabelo: "O padre não dorme com a batina". Ou seja, não serei psicólogo 24 horas por dia. Eu tenho de manter a minha individualidade, e não virar um daqueles fanáticos que eu odeio, onde todo assunto se torna alvo da psicologia, isso sim seria mais prejudicial do que uma argola de aço cirúrgico.



Mas esses episódios me fizeram ver o quanto as pessoas são afetadas pelo contato com o diferente. Eu sou alguém diferente na minha família e não tenho nenhum bloqueio mental, e assim não ligo para as opiniões do clã Stabile. E isso, de certa forma, aumentou minha auto-estima. Acabei cuidando da minha aparência e tive esse ganho secundário, por apenas um quilo de açúcar!

No entanto, levo em conta que a maneira como os outros te veem é também parte da sua personalidade, mesmo que você não queira admitir. O diferencial no meu caso é que eu não ligo de ser chamado do que quer que seja, pois não me sinto da forma como me rotulam. Como eu disse antes, só ficamos com raiva quando "no fundo" concordamos com o que dizem.

Anyway... enjoy ^^





A fruta proibida

Maldito o dia em que comecei a jogar CrossFire. Jogos online realmente deixam você viciado ou bitolado. Deixei de escrever e me senti levemente mais burro. O cérebro murcha quando não o usamos.

Muitas coisas se passaram desde a última vez que escrevi. Já parece um bordão, pois só venho aqui de tempos em tempos. No entanto, após me recuperar de traumas sentimentais e psicológicos, tenho algumas coisas interessantes para contar.

A primeira delas é que eu encontrei uma forma de canalizar a minha frustração recente de não conseguir a garota que eu queria. Comecei a achar que o problema era eu e dediquei meus últimos dois meses a tratar da minha auto-estima, e resolvi começar pela minha aparência.




Estive reparando que as espinhas e cravos, aos quais nunca dei muita atenção, pareciam maiores e mais chatos. Eles estavam me incomodando. Resolvi procurar uma forma de me cuidar e diminuir aquelas coisas horríveis. Parecia que a Associação Mundial das Espinhas e Cravos resolveu se reunir na minha cara num congresso. Eu precisava de uma solução urgente.

Encontrei a dieta da maçã. Pesquisando em algum lugar no google, descobri essa proposta de eliminar tudo que existe na sua cara em três dias, com resultados 100% garantidos! Era mais do que mágica o que eu lia, e decidi fazer. A dieta consistia em consuimir apenas maçã e água por três dias. Não há restrição de números de maçã ou de litros de água. Apenas comendo isso por três dias você estava eliminando todas as imperfeições do seu rosto. Fácil, muito fácil. Nem tinha começado e já estava me sentindo um Ryuuku sem o death note, ávido por maçãs.


Me senti super cheio de esperanças, e já me via super gats andando por aí. Bastava eu comer maçãzinhas o dia todo por três dias! Fui comprar as maçãs.




Fiz as contas de quantas maçãs eu precisaria. Duas no café da manhã, umas três no almoço e mais três no jantar. Oito maçãs por dia, vezes três dias, dava 24 maçãs. Comprei 25, para o caso de rolar um café da tarde. Saí do mercado alegre. Eu ia converter aquelas frutas em beleza. Cheguei em casa e olhei no relógio: 20:10h. Eu não tinha comido nada ainda e resolvi logo começar a minha libertação. Comi três maçãs no jantar e um copo enorme de água. As maçãs nunca pareceram tão deliciosas antes daquele dia. Fui me olhar no espelho logo após comer, mas ainda não tinha dado nenhum efeito. Fui dormir. Acordei no outro dia e fui pegando a minha xícara de café quando me lembrei da dieta. Peguei a xícara e enchi de água, e comi mais duas maçãs. Devo dizer que é estranho comer maçãs logo após acordar. Mesmo assim, era por um bem maior.



Até a hora do amoço eu não comi nada, e nem senti vontade. A pior parte da dieta é ouvir as pessoas dizendo que isso é coisa de retardado. Que você vai virar uma macieira ou ficar esfregando hamburgeres e fritas na sua cara, oferecendo doces e petiscos deliciosos, te tentando como o diabo no deserto. Fora isso, eu estava tranquilo.



Chegou a hora do almoço e lá vamos nós. Porém, em casa nós almoçamos todos juntos em família, parecendo a última ceia dos apóstolos. Vi o prato do dia e senti vontade de comer o mesmo que eles, mas fui firme e comi três maçãs imaginando que eram três big macs. Elas já não eram tão gostosas, e eu começava a entender porque eles chamam a maçã de "fruta proibida", mas mesmo assim eu olhava para o espelho e me esforçava. A água já tinha gosto de suco de maçã, mas eu já estava na metade do primeiro dia! Faltava pouco para a perfeição facial que eu buscava.



A noite veio e eu fui até o shopping com minha irmã. Eu ainda não havia comido minhas três maçãs do jantar e a fome apertou. Eu estava me sentindo um homem-maçã, pois parecia que tudo em mim cheirava maçã. Enfim, me desviei dos devaneios e estava tranquilo com ela numa loja de games, quando um pensamento tímido surgiu na minha cabeça. Esse pensamento tímido foi como um sussurro num show de rock, mas eu ouvi. "No terceiro andar tem McDonald's". Esse pensamento fui aumentando de sussurro pra grito do Steven Tyler...

Eu queria ficar bonito, mas parecia que os três dias não passavam. Depois de 10 maçãs eu estava enjoado e com uma louca vontade de comer um Big tasty. Porém, se eu tivesse saído do shopping naquele momento, eu teria esquecido do big tasty. Mas por incrível que pareça, eu interpretei como um chamado do destino, um sinal para eu abandonar aquela dieta. Comecei a pensar que eu já era bonito, que eu era especial, que não precisava sofrer... incrível como nosso estômago tem influência na nossa cabeça, ou pelo menos na minha.

Estava saindo do shopping quando eu resolvi. Fui até o terceiro andar do shopping e comprei um delicioso big tasty pra viagem. No carro eu devorei o sanduiche, intercalado com gritos maravilhados de "delííííciaaaaahhh" e engasgos inevitáveis. Em cinco minutos, comi meu big tasty. E aí aconteceu algo muito previsível: eu, saciado, senti culpa. Eu me senti um fraco, escravo dos desejos... mas a culpa de o big tasty ser tão gostoso não era minha. Era do Ronald, aquele palhaço...


Por fim, decidi abandonar a dieta, e consumi as maçãs na forma de vitamina. Minha pele não melhorou e eu passei vontade á toa. Mas não foi tão ruim assim. Aprendi que três dias são muito tempo, dependendo do ponto de vista.... e que não preciso de maçãs pra ser feliz. Preciso é de Big Tasty!


AehuiaEHiauehauiehaiuehiuaehaiueh
enjoy ^^