Eu te odeio porque mesmo?

Essa semana estive lendo um livro muito interessante. O livro é o famoso "A arte da guerra", escrito pelo general chinês Sun Tzu. O chinês era um filósofo que foi ordenado general chinês e venceu inúmeras batalhas contra vários outros exércitos. Suas técnicas estão eternizadas nesse livro. Porém, como não sou do exército e até hoje não sei porque ele existe, dei a essa leitura um significado mais amplo, metafórico. Com isso quero dizer que os ensinamentos do tio China serviram pra mim como uma norma de conduta em momentos de conflito com outras pessoas...

Quem nunca ficou odiou ninguém na sua vida, pense em atirar a primeira pedra. Eu disse "pense" e não "atire" pois ao pensar você automaticamente estará odiando, e assim, não poderá jogá-la. Agora, se você odeia ou já odiou muito alguém, sugiro que leia este livro, pois apesar de bem antigo, se você souber entendê-lo como uma analogia, verá que ele fala de muitas situações atuais.

Dizer que a guerra possui uma arte é dizer que ela é mais do que apenas reciocínio lógico e uma sequência de estratégias, especialmente quando na maioria dos casos o motivo que origina as guerras é a ausência de razão. Acredito que nossa espécie possui um impulso que leva à guerra, mas não arrisco dizer se é algo que vem da nossa espécie ou algo que a cultura nos imprime. Talvez apenas a vida em sociedade, e o fato de que você não pode fazer tudo o que você quer seja um bom motivo pra entrar em guerra. Vivemos uma guerra interior todos os dias quando não sabemos ao certo o que estamos fazendo de nossas vidas...

Deixando o lado filosófico de lado, vim até aqui hoje para contar uma experiência pessoal (pra variar) que relacionei com essa leitura.

Na faculdade, durante o curso, somos obrigados a escolher uma pessoa para realizar um trabalho durante o ano todo. Essa pessoa, supostamente um colega de classe com o qual você tem um bom relacionamento, será sua dupla, como os policiais americanos, e vocês realizarão os trabalhos pedidos em conunto. Até aí tudo beleza. É só escolher alguém com uma inteligência razoável e de boa personalidade. E foi o que eu fiz. Escolhi uma garota que em um ano fez os estágios e trabalhos de todos os anos anteriores. Ela fez isso por ter se transferido de outra universidade. Pensei comigo mesmo que uma pessoa que fez três vezes mais trabalhos que o resto da turma era alguém com bastante disposição, ou seja, a minha futura dupla.

Escolhi essa pessoa pensando ter escolhido a melhor dupla do mundo. Projetei ótimos resultados e trabalhos, aliando minha inteligência à disposição/vontade dela (plus ela não é atraente, e assim eu não teria nenhum problema de envolvimento sentimental). Era perfeito! Era.

No entanto, com o advento do quarto ano da faculdade de Psicologia, começariam os estágios de atendimento. O professor supervisor pediu que as "duplas" conversassem e decidissem qual dos dois atenderia pacientes primeiro, enquanto o outro observaria o atendimento e faria um relatório. Eu escolhi atender, e minha dupla iria dizer o mesmo. Até aí perfeito, eu adquiriria a prática e ela faria o trabalho burocrático. No entanto - pra resumir a história - me encontro hoje, no quinto ano, atendendo e fazendo relatórios SOZINHO, e catalogando as desculpas apresentadas pela minha dupla, pra ver se ela não repete nenhuma.

Me pergunto até hoje o que acontece. Não com ela, comigo. Ela deve ter outros planos para a formação dela, no entanto, eu deveria ter me afastado, afinal a incompetência dela tem afetado meu desempenho. A única coisa que eu sei é que eu a odeio.

Odeio mesmo. Mas o que eu devo fazer? O que eu quero fazer?
Se a psicanálise estiver correta, eu a odeio porque ela tem algum traço de personalidade ou atitude que eu também tenho, e que odeio em mim mesmo, e por isso, odeio ela ao invés de me odiar.

Eu admito que sou preguiçoso, e que poderia fazer tudo sem nenhum problema, que ela não pesa nada e que o trabalho que ela deve fazer não é nenhum peso pra mim. Por que então eu a odeio e quero que ela sinta o que estou sentindo?


Após ler as palavras sábias de Sun Tzu, vi que meu caso não era sem solução, pois em uma das passagens, ele disse:

"Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo, lutará cem batalhas sem perigo de derrota;

Para aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, as chances para a vitória ou para a derrota serão iguais;
Aquele que não conhece nem o inimigo e nem a si próprio, será derrotado em todas as batalhas".


Eu definitivamente estou numa guerra, mas eu não sei quem é o meu inimigo. Seria a pessoa que eu mais odeio ou seria eu mesmo? Eu tento facilitar as coisas em minha vida, de modo que eu possa aproveitá-la melhor. Ela também faz isso e eu a odeio. Estou sendo injusto?

Talvez sim, talvez não. Talvez eu a odeie porque ela é tão fora de forma física e mental que eu me sinto atraído por isso. Talvez eu a odeie por ela me fazer ver que me sinto atrído por ela, que é uma pessoa totalmente fora do meu ideal de garota. Digo que me sinto atraído inconscientemente, sem que eu sinta isso de fato ao olhar pra ela. "Quem desdenha quer comprar". Será que a odeio tanto pra esconder de mim mesmo que gosto dela? Como eu posso me sentir atraído por um mini-barril folgado? Será que sou tão estranho assim?

Auto-análise é uma coisa difícil. Chego a conclusões que não fazem sentido. Mas eu me odiaria se eu fosse alguém que gosta de large ladies with a lazy pattern. Mas não, odeio ela.

Acho que Sun Tzu devia ser um cara legal. Ao menos após milênios ele conseguiu ajudar um jovem a ver que seu ódio direcionado a uma pessoa é na verdade um ódio contra si mesmo, mas que por razões de orgulho e auto-preservação, projetou em outra criatura tal sentimento.

Será que é assim com todo mundo??

enjoy ^^

1 comentários:

  Anônimo

5 de agosto de 2009 às 13:58

È muito estranho como podemos odiar alguém sem sequer conhecer direito a pessoa...eu não li a arte da guerra mas irei ler com certeza!

Obrigada pelo comentário no meu blog...sei que o Harry Potter não é lá grande coisa ( para mim) mas vou me esforçar para ler, se for pior que o filme fazer o que é?

beijo: Máhh