Ninguém é perfeito.

Perfeição. É o assunto de hoje.

Como quase não menciono que sou psicólogo, e como quase não fico entrando em temas imersivos sobre a natureza dos comportamentos, achei que era hora de abordar algo assim mais profundo. haha. Piada de psicólogo tem sempre um ar assustador né? e um ar sem graça também, né?

Tenho um ego bastante grande pro tamanho da minha cabeça, e sinto essa necessidade de ocupar o máximo de espaço que eu puder dentro da cabeça de outra pessoa, através de um blog, por exemplo. Ao mesmo tempo, engano meu ideal de ego com a desculpa de que minhas ideias são úteis para outras pessoas. Sempre é assim sabe... você busca o prazer egoísta e diz que está pensando no prazer de outra pessoa. Isso é um dos defeitos mais comuns do mundo, e eu o tenho!

Há quem diga que todo mundo tem um defeito. Eu digo que todo mundo só tem defeitos. Há quem diga que ninguém é perfeito. Eu digo que todo mundo se acha perfeito e diz que o mundo que não sabe apreciar tanta perfeição. E tanto eu como o mundo podemos estar certos, porque ninguém afirma com clareza o que é a perfeição.

Lembro-me de ter lido "A Origem das Espécies" e encontrado uma passagem intrigante que fala da adaptação. Havia uma discussão na época de Darwin que envolvia saber quem era o ser mais perfeito. Estavam discutindo sobre duas modalidades de seres adaptados, e indecisos quanto ao grau de perfeição atingido por eles. Tudo bem que discutiam sobre animais, mas com a imaginação necessária, é possível ficar pensando nas condutas humanas.

Se me lembro bem, Darwin relata uma discussão sobre duas espécies de peixes. Uma espécie que havia originado os anfíbios, e uma outra espécie de peixe que só vivia na água, mas possuía um complexo organismo e até mesmo um esqueleto semelhante ao dos vertebrados comuns. E a briga dos antigos cientistas era: qual é mais perfeito? aquele que se adaptou a mais de um ambiente (anfíbio), ou aquele que maximizou suas características originais (peixe com organixmo complexo).

E eu digo: quem é uma pessoa mais... "perfeita"? Aquela que é bem adaptada em diversas situações sociais, que conhece um pouco de tudo, ou aquela que se especializa no seu "elemento"? Quem é mais perfeito como músico? O manolo que toca bateria, baixo, piano e canta, ou o cara que é apenas um exímio baterista ou pianista, baixista ou vocalista?

Quem é mais perfeito? O cara que é extrovertido e se dá razoavelmente bem com todo mundo ou o cara que é mais introvertido e é o melhor amigo de poucas pessoas?

Se você não achou intrigante é porque você é de outra espécie.

Existem ótimos argumentos pra ambos os lados. Só que eu esqueci. Mas garanto que isso não é o importante agora. O que é importante é parar pra pensar em qual tipo de perfeição estamos pensando quando queremos melhorar como pessoa. Sei que tenho ultimamente apenas falado de coisas assim, sobre como mudar ou como tomar uma outra atitude, e é claro que não é por acaso, porque já me entreguei nos primeiros parágrafos. Mas por mais que eu tenha meus motivos inconscientes, isso não deixa de ser algo sobre o qual se pensar.

E acredito que a maioria das pessoas pensa no primeiro tipo de perfeição. A perfeição "tipo deus". Escolhi esse nome justamente por deus ser uma figura a quem todo mundo alude quando pensa em perfeição plena. Ser o melhor em tudo. No entanto, existe um pequeno punhado de pessoas que reconhece que parece mesmo muito sobrenatural esse tipo de perfeição, e preferem pensar na perfeição do "tipo zeus". Escolhi esse nome pelo fato de no Olimpo a perfeição dos deuses ser diferente. Cada um era especialista e supremo em uma determinada área. Afrodite era a deusa do amor, e Ares o deus da guerra. Atena a da sabedoria e por aí vai. Acho que ficou fácil de entender. Afrodite não sabia nada de guerra, nem Ares sobre o amor, e Atena só sabia porque era a deusa da sabedoria, mas deveria ser ruim em outra coisa... sei lá. Esse tipo de perfeição é aquela na qual cada um maximiza ao máximo suas potencialidades, sem se preocupar com outras áreas.

Então, fica a escolha entre o tipo deus e o tipo zeus. Eu tenho um primo que é tudo menos normal. Ele diz que toca bem bateria, que canta bem, que é um ótimo profissional, que é um bom conquistador, que é sortudo, que é inteligente e que ele se daria bem em qualquer área, além de ter uma relação de competição comigo e dizer que é melhor psicólogo que eu sem sequer ter terminado o colegial. Tadinho. Ele é do tipo deus de perfeição. E ele é meio psicótico.

A maioria das pessoas é assim. Procuram minimizar qualquer erro que possam cometer e maximizar o erro dos outros, apenas pra se sentirem mais perfeitos que os que erraram. Nem preciso dizer que você já conheceu ou conhece alguém assim.

Já eu, ou outras pessoas um pouco mais frescurentas - como diria meu velho - têm consciência que o mundo é foda e é impossível você ser bom em tudo. E como se não bastasse o mundo, você também às vezes vem pro jogo com uma personalidade agressiva ou passiva demais pra ajudar. E assim, o melhor que você pode fazer é seguir o tipo zeus de perfeição, que não é uma perfeição plena, mas específica. Você não se engana e se torna uma pessoa melhor dentro dos seus limites. Essa, eu penso, é uma das causas da inveja e da competição. Se todos olhassem bem pra si mesmos, veriam que possuem algo que possibilite atingir essa perfeição.

O que eu digo é mais como... aquele papo da Xuxa de que todo mundo é especial. [Xuxa, a filósofa e analista do comportamento infantil... quem diria!]


Uma situação que explica bem como a perfeição tipo zeus pode fazer a perfeição ser possível para nós é a situação da paixão. Quando se está apaixonado, é muito difícil você não achar a outra pessoa perfeita em tudo. "Ah porque o seu ronco é perfeito, você bravo(a) fica lindo..." Se tiver dúvidas quanto a isso, consulte o orkut. Você, apaixonado, realmente pensa que a outra pessoa é maravilhosa. De fato, algo que ela fez pra você deve ter sido maravilhoso mesmo. Mas provavelmente foi uma coisa ou duas. O sorriso, o jeito de conversar, ou alguma coisa aleatória que todo casalzinho tem... "a covinha no seu rosto, ou a maneira como os pêlos do seu braço se arrepiam". Enfim, a pessoa só foi boa em te dar carinho ou o que quer que você precisava, e você generaliza a perfeição pro resto do ser. E eu tenho razões muito fortes pra acreditar que o mesmo acontece quando você procura se dedicar ao que você é e maximizar suas características boas. Você atinge a perfeição, mas uma perfeição mais sóbria do que a do apaixonado. E assim você até pode começar a se orgulhar. Ao menos eu acho melhor pensar assim do que invejar as pessoas que souberam desenvolver e investir em suas habilides.

As pessoas têm defeitos quando pensam que podem ser perfeitas tipo deus e assumem pra elas mesmas que possuem capacidades pra coisas que não vão conseguir dominar.
Resumindo, ninguém é perfeito em todos os aspectos, mas existem pessoas muito boas nesse mundo, e que são boas justamente por reconhecer que não são perfeitas naquilo em que desejariam ser.

Mas quem sou eu pra falar disso, né?


Enjoy ^^




DMC, Nietzsche e a vida.

Nesse final de semana, eu assisti a um live-action muito louco. 'Live-Action' é um filme baseado em um anime, pra quem não sabe. O filme era sobre um guri vindo do interior que tinha o sonho de ser um grande compositor e cantor para poder dar sonhos às pessoas com suas músicas românticas e alegres - e antes que você tente adivinhar, não é de "Dois Filhos de Francisco" que estou falando. Só que ele acaba se tornando o vocalista da principal banda de death metal do Japão, a Detroit Metal City (que é o nome do filme). Death Metal, pra quem não sabe, é uma das vertentes do heavy metal que se distingue pelas letras referentes a temas obscuros, como morte, demônios e coisas do tipo. Parece maluco, e é. Quando a situação se apresenta no filme, eu pensei: "como pode alguém determinar um objetivo na vida e acabar chegando no seu oposto?"

Achei a ideia engraçada, até perceber a minha situação, que vou tentar resumir em poucas linhas.

Sou uma pessoa com dotes físicos nulos, e trabalho em um serviço que demanda esforço físico intenso.
Sou recém-formado em Psicologia, e trabalho com Mecânica.
Me acho alguém independente, mas ainda moro com os meus pais...

Isso só pra começar, porque se eu continuar a descrever mais coisas, vou passar vergonha.
Aí eu me identifiquei na hora com o manolo do filme, né? Queria saber como ele sairia dessa situação pra ver se eu achava alguma inspiração também. Inútil. Filme é filme. No filme dá certo, na vida, você se fode. Você já se imaginou como o astro de um filme baseado na sua vida? Eu já. E você já percebeu que esse filme seria o filme mais sem graça se fosse sobre a sua vida? Eu também já.

Percebi que eu estava jogando minha vida pela janela, perdendo tempo com bobagens e ficando preso num esquema horrível de acordar cedo e dormir cedo sem nem aproveitar o dia fazendo algo de bom. Bom, e depois que eu percebi isso vendo o filme, eu decidi que ia mudar isso. Decidi que ia fazer minha vida valer a pena, mas só depois que eu acabasse de ver o filme!

Após ver o filme, fiquei pensando: o que fazer pra melhorar e ter orgulho de minha vida? Lembrei-me na mesma hora do famoso "eterno retorno" do Nietzsche. Pra quem não sabe - e sim, preciso ficar explicando porque não é todo mundo que é otaku e filósofo ao mesmo tempo - o "eterno retorno" é uma suposição metafísica muito inteligente e intrigante. Vou tentar explicar rapidamente.

Supondo que você é bom de pensamento abstrato, considere comigo o seguinte: Se o Universo teve um começo, que seja o big bang ou qualquer outra ideia que você defenda, é provável que o Universo seja finito, pois logo após a explosão do big bang, o Universo tinha uma determinada extensão, que pode estar aumentando até hoje, mas que ainda tem um limite, sendo então finito.
Consideremos que o Universo é finito. Okay. Agora consideremos que o tempo é infinito. Ele corre, sempre correu e sempre correrá. Sempre houve um antes e sempre haverá um depois, certo? (isso tá ficando muito complicado...)

Pois bem. Se o Universo e toda a matéria é finita, e o tempo é infinito, é provável que, dado o tempo necessário, todas as combinações entre todas as matérias do Universo terão acontecido infinitas vezes. Eu não sei como explicar melhor isso. É como dizer que dois dados podem gerar 36 combinações diferentes. O número de combinações é finito. Então ao jogarmos tais dados por um tempo indeterminado, ou melhor, infinito, todas as combinações ocorrerão infinitas vezes, por mais alta que seja a probabilidade de uma ou outra combinação específica de dados acontecer. O mesmo aconteceria com toda a matéria do Universo, logicamente, em uma escala muito maior do que a das combinações de dados. O que importa é dizer que com o tempo, tudo é possível.

Muito bem, agora chegamos ao ponto G. Se todas as combinações do Universo ocorrerão infinitas vezes, então provavelmente a minha ação de escrever esse texto também já aconteceu infinitas vezes, assim como tudo que eu fiz na minha vida antes disso. E na sua também, pra você não achar que é só com os outros que acontece. Todos os eventos já teriam ocorrido infinitamente, num grande loop universal. Nietzsche quis dizer com isso que poderíamos, se essas afirmações preliminares se confirmarem, viver nossas vidas infinitamente, do mesmo jeito, para sempre. Esse é o eterno retorno. Poderíamos já estar numa segunda edição da nossa vida, ou terceira, ou mesmo a primeira, vai saber. Assim, Nietzsche deu um conselho muito mara, e que tenho prazer em repetir: "viva a sua vida de modo a querer revivê-la infinitas vezes".

Eu acho que 99% das pessoas diriam que não gostariam de reviver a sua vida de novo, sem mudar nada. Imagino que deve ser torturante você se ver fazendo uma merda, sabendo que vai fazer merda, e não poder falar pra você mesmo "OLHA A MERDA QUE VOCÊ VAI FAZER". No entanto, eu me alegro com o oposto, ao imaginar que se eu me dei bem em algum momento, eu vou rever aquilo num replay eterno e vibrar com minhas conquistas. Acho que é disso que ele falava. Acho que tenho que criar mais momentos empolgantes do que momentos "olha a merda" na minha vida.

E tudo isso com um filminho B japonês.

Quando parei pra pensar em como poderia acrescentar momentos dos quais eu teria orgulho de me lembrar no futuro, voltei a rever meus sonhos de adolescente. Eu me achava capaz de conseguir ser alguém famoso, ter muito sucesso, virar referência, nome de matéria na escola, morar na Europa e ter muitos filhos inteligentes com uma guria muito linda e apaixonada por mim. E quando olhei pra minha vida hoje, pouco mais de 5 anos depois...

MEU AMIGOO!

Exceto pela companhia, posso dizer que todo o resto está exatamente o oposto do que eu queria pra mim. Quase deprimi, mas como dizia o grande Chico Xavier, não se pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas sempre se poder parar agora e começar um novo fim. Tá bom, aí eu deprimi.

Decidi, por fim, fazer uma lista de objetivos, e dividir as tarefas necessárias pra atingí-los de um modo que eu tenha que cumprir uma missão por dia. Espero que funcione. A primeira missão é registrar essa minha disposição, que é o que faço aqui.

Pra resumir, e não dizer que a viagem e a reflexão só resultaram em coisas ruins, fiquei feliz de ver que a força de vontade ressurgiu em mim. Mas uma coisa me intrigou: assim como no filme o manolo descobre que mesmo daquele jeito, numa banda de metal, ele dava sonho pras pessoas com a música dele. O oposto do que ele desejava realizou seu maior desejo. Será que minha felicidade está no exato oposto do que eu procuro?

Medinho de pensar. Fui o/

Mudanças

Sabe o que eu acho? Que mudar o jeito de levar a vida é a coisa mais difícil a se fazer. Eu estou sempre insatisfeito com o jeito com o qual eu falo com as pessoas, com o jeito com o qual eu me dedico, com os planos que tenho pra minha vida e até com o jeito com o qual eu xingo gente. Eu nunca fico satisfeito só com um "vai se foder, seu fila da puta!"

Estava matutando sobre o porque disso, e minha sorte foi a de ter estudado a natureza humana por meia década. Mesmo tendo concluído o curso de psicologia, é difícil você parar pra se analisar. Eu analiso as outras pessoas secretamente (pq vira um hábito, é impossível parar com essa porra), e sempre chego fácil a um tipo de personalidade ou a identificar algumas coisas que mexem com cada um. E sempre é fácil você constatar que fulano é tão aversivo a homossexuais que possui um forte desejo inconsciente de se tornar homossexual. Chega a ser engraçado. O mesmo com religiosos. Porém, quando a coisa é com você, fica mais difícil.

E foi exatamente o q eu descobri. Que eu também tenho meus "demonhos". Você já viu no American Idol aquele pessoal que não canta bem, mas acha que canta bem? Tipo, pra nós tá na cara que o manolo não sabe cantar, mas às vezes eu vejo gente que REALMENTE se achava bom. Alguns se indignavam e xingavam todo mundo (de um jeito que eu ainda vou aprender), de tão difícil que era pra eles acreditarem. Daí então comecei a dar um pouco mais de valor para aquilo que as pessoas falavam do meu jeito, e achei coisas parecidas nas opiniões de pessoas diferentes. E assim fui fazendo uma lista das minhas características mais ruins. Algumas eram surpresas completas pra mim. E aí decidi mudar.

E a transição começou hoje. espero poder sair dessa mudança, ou como meu pai diria, "frescura", como uma pessoa melhor.

XD

Faz realmente muito tempo desde que não passo por aqui. Mas hoje fiquei motivado depois de visitar o blog de alguém que achei deveras interessante, e aqui estou.

Minha ideia inicial de criar uma espécie de diário online foi uma piada. Mas nunca é tarde pra recomeçar (ou começar né?). A vida muda rápido, e a minha já percorreu um longo caminho. Passei de um guri pseudo-revoltado-cheio-de-conteúdo pra alguém que finalmente sabe que não é ninguém nessa pow-ha de mundo.

Pois é, também percebi minha mudança.

Hoje posso dizer que minha vida é uma beleza. Terminei a faculdade, trabalho, ganho relativamente bem, toco numa banda com os melhores amigos que alguém pode ter, e tocamos as músicas que eu adoro, ando de carro, conheci uma guria sensacional e de vez em quando algumas gurias apertam minha bunda na rua. Quem não iria querer isso, incluindo a mão na bunda? Mas, como todo mundo sabe, os seres humanos não sossegam. E comigo não é diferente. Tenho tudo isso, mas quero ganhar mais do que ganho, quero tocar mais do que toco, e por aí vai. O simples pensamento de que tudo poderia ser melhor me deixa inquieto. Me atrapalha.

O problema desse diário online é que não posso ser completamente sincero, pois sempre há a possibilidade de alguém ler isso daqui e eu me foder se estiver falando mal de alguém. Já pensou se eu xingo você e você lê? ahhaha Então.. se quero registrar uma coisa, tenho de fazer de maneira velada.

A verdade é que ultimamente tenho tido minhas dúvidas sobre as coisas que eu faço. Sempre achei que saberia como agir na maioria das situações que eu encontrasse...e ultimamente tenho colecionado discussões e problemas de relacionamento com algumas pessoas por isso. Eu não sei mais o que acontece. Eu tomo minhas decisões, tenho meu ponto de vista sobre as coisas. E quando pergunto por curiosidade pra meus amigos.. todos concordam num mesmo ponto, que é exatamente o oposto do que eu acho que tenho que fazer.

Será que eu estou ficando lelé da cuca? Será que eu psicotizei?

É melhor deixar as coisas rolarem pra ver no que dá =]

Uma manhã de fúria!

Acordei ao som de helicópteros. "Crime na vila", pensei. É isso que dá morar em Osasco, cidade-ladrã. Sim, preconceito é o que há. Levantei, escovei meus dentes, dei comida pro Gohan e desci as escadas para tomar meu café da manhã. Olhei meus emails e me arrumei para ir trabalhar.

Ouvi minha mãe conversando com os vizinhos da janela. Minha mãe não conversa nem com seus amigos imaginários, quanto mais com os vizinhos. Logo desconfiei. Subi para perguntar o que estava acontecendo. Ela ligou a tv na Record. Antes que a tv sintonizasse a imagem - tv velha dá nisso - ela conseguiu dar três voltas no quarto. Parecia uma barata com medo do spray inseticida. Olhei novamente para a tv. Aquele gordo ridículo que fala da maneira mais imbecil que eu conheço estava gritando que haviam invadido uma casa em Osasco.

- Novidade - eu disse.

Ela estava com a janela aberta e um vento fudidamente frio entrava. Pedi pra ela fechar, e ela respondeu:

- Não, preciso ver o helicóptero! Quero ver onde é!

- A casa não fica no céu, e você ligou a tv pra isso. Feche a janela por favor mãe!

Ela não ouvia. Entrava em todos os quartos e olhava pelas janelas. Pegou o telefone e ligou para o meu pai, que trabalha a milhas de distância, e pediu pra ele ligar a tv. Me perguntei pra quê.
Até que finalmente mostraram a imagem do helicóptero cujo barulho me irritou às 7:30h da manhã. Era uma casa na rua de baixo da minha. Olhei pro relógio e vi que estava atrasado. Me despedi da minha mãe. Ela olhou pra mim e disse:

- Tira essa touca! Vão parar você e te matar!
- Mas mãe, usar touca não é crime!
- Mas o documento do seu carro está atrasado!
- E eu vou morrer por isso? ahahahahha
- Vai tomar no c* Rafael. Evite passar na rua de baixo!

Entrei no carro e saí. Parei na padaria que é do lado de casa e desci pra comprar um pacote de biscoitos maizena! Uma delícia com café, btw. As "donas Jeruzas" estavam na fila do pãozinho queimado. "Dona Jeruza" é um termo usado por mim para designar pessoas do sexo feminino acima dos 50 anos e dos 80kg que não encontram mais sentido nas suas existências além de assistir Tv Fama, a novela das 13h, 17h, 18h, 19h, 21h, e de contar sobre as vidas dos netos e filhos, numa competição com as outras Jeruzas. Resumindo, a vida delas é fofocar.

Desci e já todas olharam pra minha cara. Dei um "bom dia" com uma cara de "vão se foder" e entrei na padaria. Enquanto procurava os biscoitos, não pude deixar de ouvir a conversa.

"Ai eu acordei com aquele barulho de helicóptero e pensei que minha casa ia cair!"

"Ai eu saí no portão e vi 5 viaturas!"

" Eram 6! Eram 6!"

"Não! Eram 5!"

"Eu acho que eram 6, as marcas de pneu indicam que...."

Achei meus biscoitos! Peguei meu dinheiro contado e joguei na dona da padaria. Saí correndo em direção ao carro pra não ser atingido por aquela doença mental que provavelmente era contagiosa! Fiquei pensando: POR QUE RAIOS ELAS PRECISAM SABER O NÚMERO EXATO DE VIATURAS DE POLÍCIA?

Entrei no meu carro e vi minha mãe saindo com o dela. O caminho que faço pra ir trabalhar passa pela rua de baixo. Ela sabia disso. Ela ficou esperando eu dar ré e ir pela rua de cima! Ela me bloqueou pra eu não passar! Dei a ré e fui pela rua de cima. Ela também.


Cheguei no trabalho e meu primeiro impulso foi ficar pensando... Por que as pessoas são assim? Não apenas nesse caso, mas também em brigas, batidas de carro, etc, etc, etc. Por que sempre tem pessoas pra fazer a rodinha em volta do "evento"?

Será que a vida dessas pessoas são tão carentes de ação que elas precisam querer fazer parte de alguma coisa diferente? Será que elas são simplesmente bestas? Não sei, só sei que fico puto quando ouço algum barulho de batida ou vejo alguma briga e as pessoas ao meu redor correm para onde aconteceu e ficam olhando.

O ser humano.... haha... incrível mesmo.

Vou ficando por aqui. Mas ainda vou descobrir a razão pela qual isso acontece!


enjoy ^^



WTF?

Caraca! Dois meses se passaram! O trabalho de conclusão de curso tomou dois meses da minha vida e eu nem reparei.

Tanta coisa aconteceu nesses dois meses que vou desconsiderá-las, pular a recapitulação e simplesmente seguir em frente. Posso apenas dizer que as coisas não andam muito bem (como se antes estivessem ótimas).
A principal delas e que ainda me atrapalha é a minha relação com meu pai, e sobre isso vou falar hoje.


Pais. Impossível existir sem eles. Meu pai é um cara muito legal, devo admitir. Nunca me obrigou a seguir nenhuma religião, sempre me estimulou a favor de eu fazer o que eu quero da minha vida. No entanto, ele tem seus defeitos como todo mundo. E eu também tenho os meus. E ultimamente temos esbarrado nisso.

Independentemente da razão pela qual brigamos - que não vem ao caso - esse episódio despertou meu pensar para uma série de coisas. A primeira delas é a questão do respeito. Maldito respeito. Muitos acham - e meus pais provavelmente também - que essa coisa do respeito faz parte do pacote quando se torna pai ou mãe. Que seus filhos devem respeitar você simplesmente porque você é o que é. Mais irracional impossível. Respeito é uma coisa ótima numa relação, mas ele não deve acontecer assim como todo mundo pensa. Honrar pai e mãe pode ser um mandamento. Mas e daí? Só porque está escrito numa pedra, e porque supostamente esse mandamento foi escrito por alguém que não tem pai nem mãe pra respeitar, eu tenho de seguir? Eu tento deixar esse assunto de lado, mas o cristianismo me provoca mesmo. Meus pais se dizem não-religiosos e se prendem a essa idéia de que se deve respeitar porque sim. Uma posição lógica insustentável. Mas dou um desconto por eles não saberem que as coisas que hoje parecem naturais têm sua história e não foram sempre assim.

Se eu sou contra essa noção de respeito? Sim, sou. Mas isso não quer dizer que eu não respeite ninguém. Para mim, o respeito é algo que deve ser merecido, tal como a confiança. Você não vê nenhum mandamento falando pra vc confiar né? Aliás, tem até aquele versículo(ridículo, só para rimar XD) que diz que é maldito o homem que confia no homem. Se somos uma raça tão pervertida assim, porque raios um raio escreveu que devemos respeitar nossos pais por eles serem nossos pais?

Tá certo que eles quem me trouxeram à vida e tudo mais. Mas isso não tem a ver. Provavelmente eles não sabiam que iam gerar a minha pessoa, eu o Rafinha. Não. Foi um acidente eu ter sido o espermatozóide número um. Foi uma combinação incrivel de fatores para que eu existisse, e não existe maneira de meus pais saberem que eu nasceria... Devo respeitá-los por não saber de nada?

Estava conversando com minha mãe e ela insistia em dizer que eu devia pedir desculpas pro meu pai e porque eu falo de igual pra igual com ele. Eu fiquei besta de ouvir que "falar de igual para igual" com meu pai é errado. Por que?
Como se ao ser meu pai ele sempre estivesse certo quando discute comigo. AHAHHA mais engraçado e louco, impossível. E depois eles querem que você cresça e seja a criança deles pra sempre. Por isso talvez a adolescência seja tão rebelde.

Resumindo, os pais são loucos. Não sei se é a coisa de olhar para algo que você fez e ver que está tudo errado, ou se é o medo de ficar velho que aparece conforme seu filho cresce... Só vou saber quando, e se, eu for pai algum dia. Até lá, só posso especular.

Meus dias tem sido tensos em relação a isso. Vejo meu pai todo dia e evito contato verbal com ele. Uma outra coisa que apareceu nesse episódio todo é a questão do "orgulho". Não sou orgulhoso, e sou o primeiro a admitir que estou errado, porém quando não estou, não mudo minha posição. Nunca. Aí acabo sendo orgulhoso. Então não sei se sou mesmo orgulhoso ou não.


Estou ficando confuso escrevendo isso, melhor parar.

Talvez ainda não elaborei essas coisas. Quem sabe um dia...




Sobre modinhas e aparências [Reloaded]

Eu estava na faculdade, conversando com amigos, quando de repente aparece um assunto do nada. Gostos. Sim, começamos a falar sobre nossos gostos. Dizem que gosto não se discute, mas acho que ninguém falou nada sobre copiar, se identificar ou mentir sobre eles. E não me surpreendi quando descobri que tínhamos gostos parecidos. Tínhamos é exagero.

Eu discordava dos gostos dos meus amigos e só concordava quando me perguntavam se eu gostava de uma coisa. Afinal, gosto não se discute. E o papo passou por gostos de músicas, carros, lazer, atividades, e hobbys. Desejos, mulher, bebida, e filmes. A única coisa que mudava em toda a conversa, era o assunto. Os gostos eram iguais, exceto os meus, claro. ^^

Comecei a pensar que talvez nossos gostos parecidos fossem o que criou a amizade que hoje reinava entre a gente. Mas essa teoria não explicava o que eu fazia no meio deles, pois odeio tudo o que eles veneram. Lembrei-me de uma coisa que aprendi na faculdade, e que dizia que todo comportamento humano só é repetido por trazer um ganho ao indivíduo como conseqüência. Como por exemplo, um mês de trabalho nos dá como conseqüência um salário (e talvez um câncer, reumatismo..etc, mas isso não conta, não dá pra pegar isso em um mês ^^). A idéia era dizer que tudo o que fazemos é em função de alguma coisa que nos trará benefício.

Então comecei a imaginar qual seria o ganho que meus colegas teriam ao dizer que gostavam de ouvir a dança do créu nos seus carros e lares, por exemplo.

Não demorei muito na minha reflexão. Uma palavra explicou tudo o que eu queria saber. Aparência. Sim, aparência. É o que move esse mundo hoje. Mas existem dois tipos de aparência. A aparência física, que não se pode mudar muito, nasceu bonito, morre bonito; nasceu feio, morre achando que é bonito.... e a outra aparência, que corresponde à sua personalidade, sobre a imagem que você passa para as outras pessoas de como você é (se é alegre, bravo.. etc.). E essa aparência pode ser do jeito que cada um quiser que seja a sua, isso desde que inventaram a mentira. Quando falei de aparência quis dizer esse segundo tipo, que pode fazer com que sua cara não seja mais que uma cortina de teatro, que apenas seja o começo do espetáculo que acontece dentro da sua cabeça ^^

Todo mundo sabe dizer se acha uma pessoa bonita ou feia, e, assim como com a aparência física, todo mundo sabe dizer se a pessoa com quem acabou de trocar palavras é legal ou odiável. E já que não se pode mexer com a aparência física, por que não descontarmos nos mostrando pessoas legais, admiráveis e com os mesmos gostos que o das pessoas mais legais, para assim ser atraentes? Sim, aí começa a modinha. ¬¬

"Ah, a fulana gosta de Fresno. Eu gosto dela. Logo, eu devo gostar de Fresno para ela gostar de mim." Funciona assim, na minha opinião. Agora pergunta pra ele que pensa assim se ele realmente vê alguma beleza nos versos de "Cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas". Não. Provavelmente gosta das bandas de pagode Sorriso Pequeno, Meninos da Vila e afins.

Mas ele não diz isso. Não na frente dos amigos. Por quê? Eu diria que é como uma espinha na cara da sua personalidade. Só que a diferença entre essa espinha e uma espinha gigante no seu rosto é que você pode esconder ela de todo mundo apenas não falando nada (e existem pessoas que acham que funciona assim com a espinha de verdade ^^). Então a modinha funciona assim. É como um vestibular pra você ser aceito como um ser normal. Se você responder errado, você pode ser "aquele que gosta de musica gospel", ou "aquele que ouve Bruno e Marrone". Isso é como se sua personalidade fosse deficiente, sem uma perna. Todos te olham! Então é mais fácil você dizer que gosta da música que toca no rádio. E tudo fica mais fácil de entender. Talvez se tivéssemos mais intimidade, alguiém diria que chorou em um filme romântico...ou que acha a música do Roupa Nova legal.

Resumindo, nosso mundo traz a seguinte regra: Você é livre para escolher quem você quer ser, o que gosta e tudo mais, mas se você quer ser legal, talvez você devesse ouvir as mesmas músicas e gostar das mesmas coisas que nós.

Falo de meus gostos com orgulho....afinal, sou original e não troco nada do que penso por nada do que outra pessoa pensa...

E sou feliz assim. Enjoy