Uma manhã de fúria!

Acordei ao som de helicópteros. "Crime na vila", pensei. É isso que dá morar em Osasco, cidade-ladrã. Sim, preconceito é o que há. Levantei, escovei meus dentes, dei comida pro Gohan e desci as escadas para tomar meu café da manhã. Olhei meus emails e me arrumei para ir trabalhar.

Ouvi minha mãe conversando com os vizinhos da janela. Minha mãe não conversa nem com seus amigos imaginários, quanto mais com os vizinhos. Logo desconfiei. Subi para perguntar o que estava acontecendo. Ela ligou a tv na Record. Antes que a tv sintonizasse a imagem - tv velha dá nisso - ela conseguiu dar três voltas no quarto. Parecia uma barata com medo do spray inseticida. Olhei novamente para a tv. Aquele gordo ridículo que fala da maneira mais imbecil que eu conheço estava gritando que haviam invadido uma casa em Osasco.

- Novidade - eu disse.

Ela estava com a janela aberta e um vento fudidamente frio entrava. Pedi pra ela fechar, e ela respondeu:

- Não, preciso ver o helicóptero! Quero ver onde é!

- A casa não fica no céu, e você ligou a tv pra isso. Feche a janela por favor mãe!

Ela não ouvia. Entrava em todos os quartos e olhava pelas janelas. Pegou o telefone e ligou para o meu pai, que trabalha a milhas de distância, e pediu pra ele ligar a tv. Me perguntei pra quê.
Até que finalmente mostraram a imagem do helicóptero cujo barulho me irritou às 7:30h da manhã. Era uma casa na rua de baixo da minha. Olhei pro relógio e vi que estava atrasado. Me despedi da minha mãe. Ela olhou pra mim e disse:

- Tira essa touca! Vão parar você e te matar!
- Mas mãe, usar touca não é crime!
- Mas o documento do seu carro está atrasado!
- E eu vou morrer por isso? ahahahahha
- Vai tomar no c* Rafael. Evite passar na rua de baixo!

Entrei no carro e saí. Parei na padaria que é do lado de casa e desci pra comprar um pacote de biscoitos maizena! Uma delícia com café, btw. As "donas Jeruzas" estavam na fila do pãozinho queimado. "Dona Jeruza" é um termo usado por mim para designar pessoas do sexo feminino acima dos 50 anos e dos 80kg que não encontram mais sentido nas suas existências além de assistir Tv Fama, a novela das 13h, 17h, 18h, 19h, 21h, e de contar sobre as vidas dos netos e filhos, numa competição com as outras Jeruzas. Resumindo, a vida delas é fofocar.

Desci e já todas olharam pra minha cara. Dei um "bom dia" com uma cara de "vão se foder" e entrei na padaria. Enquanto procurava os biscoitos, não pude deixar de ouvir a conversa.

"Ai eu acordei com aquele barulho de helicóptero e pensei que minha casa ia cair!"

"Ai eu saí no portão e vi 5 viaturas!"

" Eram 6! Eram 6!"

"Não! Eram 5!"

"Eu acho que eram 6, as marcas de pneu indicam que...."

Achei meus biscoitos! Peguei meu dinheiro contado e joguei na dona da padaria. Saí correndo em direção ao carro pra não ser atingido por aquela doença mental que provavelmente era contagiosa! Fiquei pensando: POR QUE RAIOS ELAS PRECISAM SABER O NÚMERO EXATO DE VIATURAS DE POLÍCIA?

Entrei no meu carro e vi minha mãe saindo com o dela. O caminho que faço pra ir trabalhar passa pela rua de baixo. Ela sabia disso. Ela ficou esperando eu dar ré e ir pela rua de cima! Ela me bloqueou pra eu não passar! Dei a ré e fui pela rua de cima. Ela também.


Cheguei no trabalho e meu primeiro impulso foi ficar pensando... Por que as pessoas são assim? Não apenas nesse caso, mas também em brigas, batidas de carro, etc, etc, etc. Por que sempre tem pessoas pra fazer a rodinha em volta do "evento"?

Será que a vida dessas pessoas são tão carentes de ação que elas precisam querer fazer parte de alguma coisa diferente? Será que elas são simplesmente bestas? Não sei, só sei que fico puto quando ouço algum barulho de batida ou vejo alguma briga e as pessoas ao meu redor correm para onde aconteceu e ficam olhando.

O ser humano.... haha... incrível mesmo.

Vou ficando por aqui. Mas ainda vou descobrir a razão pela qual isso acontece!


enjoy ^^



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